Geração Z dribla os juros altos e aposta no consórcio para conquistar carro e casa

Com a taxa Selic ainda elevada, os financiamentos tradicionais se tornam cada vez menos atraentes. Especialmente nesse cenário, quem busca evitar endividamentos procura outras alternativas.

Nesse contexto, muitos jovens da Geração Z encontram no consórcio uma estratégia para alcançar bens como automóveis e imóveis. A modalidade permite planejamento e não cobra juros sobre o crédito. Porém, existem taxas de administração e outros custos que precisam entrar na conta.

A trajetória de José Borba: de gerente sem carro a empreendedor de consórcios

José Borba tinha apenas 21 anos quando recebeu uma grande oportunidade. Na época, ele se tornou gerente na empresa onde trabalhava.

Havia, porém, uma condição: precisava de um carro para visitar clientes.

Financiamento? Impensável. Pagar à vista? Impossível.

Foi então que o consórcio se tornou sua saída.

“Como eu não tinha condições de comprar nem à vista nem pelo financiamento, optei pelo consórcio.”

José recebeu a contemplação no terceiro mês graças a um lance. Com essa modalidade, ele conseguiu antecipar parte das parcelas para acelerar a liberação do crédito.

Hoje, aos 33 anos, José se orgulha de ter se tornado o gerente mais jovem de sua antiga empresa. Depois disso, ele também fundou sua própria corretora de consórcios.

Por que a Geração Z está abraçando os consórcios?

Existem vários fatores que ajudam a explicar o interesse dos jovens pelo consórcio. Entre eles, estão os juros elevados, a busca por planejamento e a possibilidade de comprar um bem sem precisar de crédito imediato.

1. Evita juros altos

A Selic ainda ronda os 15% ao ano. Por isso, os financiamentos podem pesar bastante no orçamento de quem está começando a vida financeira.

O consórcio surge como uma alternativa sem juros. No entanto, a modalidade possui taxas de administração, que ficam diluídas ao longo do tempo.

2. Crescimento significativo entre jovens

A participação de pessoas de 18 a 29 anos em consórcios aumentou 8,9% de 2023 para 2024.

Esse crescimento, portanto, sinaliza uma tendência de maior interesse dos jovens por modalidades que permitem planejamento financeiro.

3. Planejamento como valor central

Mesmo diante da instabilidade econômica e do crédito restrito, muitos jovens valorizam o tempo.

Nesse caso, quem não precisa do bem imediatamente pode encontrar no consórcio um caminho de médio ou longo prazo.

Assim, a modalidade pode fazer sentido para quem consegue esperar pela contemplação.

4. Educação financeira em prática

Ao assumir parcelas mensais, o consórcio pode funcionar como uma espécie de “obrigação financeira saudável”.

Dessa forma, a modalidade estimula disciplina e reforça a importância do comprometimento com o orçamento.

Além disso, o compromisso mensal pode ajudar o participante a organizar melhor seus objetivos financeiros.

5. Panorama positivo do setor

Em 2024, o sistema de consórcios alcançou números positivos. Além disso, as projeções para 2025 indicam continuidade dessa trajetória.

A previsão aponta crescimento de até 8%. Entre os destaques, aparecem imóveis, com alta de 20%, eletroeletrônicos, com 23%, e veículos leves, com 6%.

Consórcio imobiliário também ganha espaço

O mercado imobiliário acompanha essa tendência.

De janeiro a novembro de 2024, o volume de créditos comercializados no consórcio imobiliário subiu 35,4%. O total chegou a R$ 178,34 bilhões.

Com isso, a modalidade se consolida como uma opção para quem planeja comprar a casa própria com mais calma.

6. Consórcio imobiliário em alta

O crescimento do consórcio imobiliário mostra que os jovens não procuram apenas veículos.

Ao mesmo tempo, a modalidade também pode atender quem deseja conquistar um imóvel no médio ou longo prazo.

Nesse sentido, o consórcio permite organizar a compra sem a necessidade de assumir imediatamente um financiamento tradicional.

7. Segmentos diversos e participação ativa

De janeiro a abril de 2025, o segmento de eletroeletrônicos registrou crescimento de mais de 119% nas vendas.

Além disso, os consórcios de veículos leves e imóveis também apresentaram desempenho robusto.

O setor como um todo segue batendo recordes. Em 2023, o sistema já havia ultrapassado 10 milhões de participantes ativos.

Dessa maneira, os números mostram a presença cada vez maior dos consórcios entre consumidores brasileiros.

Consórcio x financiamento: o que pesa na balança?

Antes de escolher uma modalidade, é importante entender as principais diferenças entre consórcio e financiamento.

AspectoFinanciamentoConsórcio
ImediatismoBem disponível na horaContemplação pode levar meses ou anos
TaxasJuros + taxas elevadasTaxa de administração (10–20%), sem juros
Planejamento financeiroMenor, amarra orçamentoMais previsível e controlado
Incerteza do custo finalParcela fixadaCusto varia com prazo e correções
Negociação e antecipaçãoPossível descontoNormalmente sem quitação antecipada

Além dessas diferenças, cada modalidade atende a um perfil de comprador.

Como destaca o planejador financeiro Jeff Patzlaff, no consórcio é mais difícil prever o custo total desde o início.

Além disso, faltam mecanismos de desconto por quitação antecipada, presentes no financiamento.

Por isso, antes de escolher uma modalidade, o comprador deve analisar prazo, custos e necessidade de acesso imediato ao bem.

O que saber antes de entrar em um consórcio

Antes de contratar um consórcio, alguns cuidados podem ajudar na decisão.

  • Primeiramente, defina qual bem deseja: carro, casa, moto ou até serviços.
  • Em seguida, avalie o valor da carta de crédito e o número de parcelas.
  • Além disso, saiba que a contemplação pode ocorrer por sorteio ou lance.
  • Outro ponto importante são as taxas de administração, que podem representar de 10% a 20% do valor contratado.
  • Por fim, tenha paciência, pois o consórcio é indicado para quem pode esperar.

Dessa forma, entender as regras da modalidade ajuda a evitar expectativas fora da realidade.

Tendências para 2025

O sistema de consórcios segue em crescimento. Entre os principais números, estão:

  • Mais de 10 milhões de participantes ativos no Brasil.
  • Crescimento de 20% no segmento de imóveis.
  • Alta de 6% nos veículos leves.
  • Avanço de 23% nos eletroeletrônicos.
  • Mais de R$ 178 bilhões movimentados pelo consórcio imobiliário em 2024.

Portanto, os números mostram que o consórcio ocupa um espaço cada vez maior no planejamento de compras de longo prazo.

Conclusão: planejamento como ferramenta de conquista

Para a Geração Z, que lida com rendas mais apertadas e bens proporcionalmente mais caros, o consórcio representa uma forma de se planejar sem assumir os juros de um financiamento.

Mais do que adquirir um carro ou uma casa, a modalidade pode estimular disciplina financeira e planejamento.

Ao mesmo tempo, o consórcio exige paciência e capacidade de manter o compromisso com as parcelas.

Por fim, o consórcio pode ser uma alternativa para quem não precisa do bem imediatamente e consegue manter o compromisso financeiro ao longo do tempo.

Casa Guedes – O blog da imobiliária do Parque São Domingos

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