Dados fazem parte da nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada pelo IBGE
Cada vez mais pessoas vivem sozinhas no Brasil, mostra a nova edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta sexta-feira, 17.
Mais brasileiros estão morando sozinhos
De acordo com os novos dados, em 2025, 19,7% das unidades domésticas do País eram unipessoais. Ou seja, eram compostas por apenas um morador.
Esse número representa um aumento de 7,5 pontos porcentuais. Em números absolutos, são 8,2 milhões de pessoas a mais em relação a 2012. Naquele ano, os domicílios unipessoais representavam 12,2% do total.
Enquanto isso, a maioria da população (80,9%) vive com pelo menos um cônjuge ou um parente.
Segundo os analistas do IBGE, o movimento está relacionado, em grande parte, ao envelhecimento da população. Além disso, mudanças comportamentais também influenciam esse cenário.
Entre essas mudanças, está a decisão de cada vez mais mulheres optarem por viver sozinhas.
Homens e mulheres apresentam comportamentos diferentes
Na análise por sexo, os números revelam uma diferença importante. Em 2025, as mulheres representavam 45,1% das pessoas que moravam sozinhas. Por outro lado, os homens correspondiam a 54,9%.
O trabalho mostrou ainda que a maior parcela da população que mora sozinha está na faixa etária dos 30 aos 59 anos. Em seguida, aparecem os idosos, com 60 anos ou mais, que representam 40%.
“Em boa parte dos domicílios unipessoais vivem pessoas com mais de 60 anos. Nesta fase, os filhos já saíram de casa e muitos ficaram viúvos”, analisa o pesquisador do IBGE William Kratochwill, que apresentou a pesquisa.
Segundo ele, não por acaso, nos Estados onde vivem mais idosos, como o Rio de Janeiro, essa porcentagem é maior.
Por que tantas pessoas estão vivendo sozinhas?
No entanto, há variações importantes entre homens e mulheres.
Entre os homens que vivem em domicílios unipessoais, 56,4% tinham de 30 a 59 anos. Já entre as mulheres, a maioria se situava na faixa dos 60 anos ou mais de idade, com 55%.
“Isso acontece porque até os 59 anos tem muito mais homem morando sozinho: eles viajam, mudam de emprego, se separam e vão morar sozinhos”, explica o demógrafo e economista José Eustáquio Alves Diniz.
Porém, entre a população com mais de 60 anos, a maioria é de mulher vivendo sozinha.
“As mulheres costumam se casar mais cedo que os homens e vivem em média sete anos a mais do que eles”, explica Diniz.
O que os dados mostram sobre o futuro da moradia?
Diante desse cenário, o crescimento dos domicílios unipessoais também chama a atenção do mercado imobiliário.
A mudança no perfil das famílias pode aumentar a procura por imóveis adaptados para quem mora sozinho. Além disso, apartamentos menores, boa localização e acesso a serviços podem ganhar ainda mais importância.
Assim, acompanhar a evolução desse comportamento ajuda a entender não apenas as mudanças na composição das famílias, mas também as novas necessidades de moradia dos brasileiros.




